A família acreana (Diário de um Acreano 53)
ATENÇÃO! ATENÇÃO! Mais uma do diário mensal mais lido pela Manézona. Direto da terra das chegadas e partidas, dos encontros e desencontros, do PT ou não PT... por aqui o meio termo não tem vez.
Meus caros e caras, a experiência de viver longe dos seus é muito enriquecedora. Cresce-se a passos largos e, me permitem essa vaidade e que me perdoem os fracos, tem que ser forte. Eu diria, parodiando o seu Sabá, que fraco eu não sou não, mas forte também... Ha! Ha! Ha!
No momento da distância de suas referências, você é obrigado a tomar a sua vida pela mão e dizer a ela: "Agora é só nós dois. Seremos eternos responsáveis pelo o que nos causarmos. Ó, pra ser feliz vale tudo viu: só não vale puxar o cabelo e dedo no olho." Ai segue o seu caminho, trombando quase sempre, mas seguindo. É claro que pra isso você não precisa necessariamente se mudar pro Acre. Você pode tomar sua vida (ou não) em qualquer lugar... seja logo ali ou a 4 mil km de casa. O diferencial talvez do estar longe é que você vai criando laços de família. Isso mesmo, sem aspas. Aos poucos você vai criando vínculos de amizades intensos que acaba criando uma nova família... isso quando não é adotada por outra. Aqui no Acre, grande parte dos meus amigos queridos, é de fora também. Muitos com histórias semelhantes de vida, recém formados, com vontade de conhecer outros mundos e tocar a vida. Essa gente toda se junta e forma a família acreana. Dentro dessa miscelânea de origens tão diversas, os papéis vão se invertendo: ora você é o irmão pirrão, ora é o pai carinhoso, ora é a mãe brava, ora é o filho distante. Cada um vai assumindo o papel que precisa para cada momento. E como toda a família, existe também as despedidas. Por exemplo, a minha família acreana já contou com o Sandovaldo, um piauiense comédia toda vida, tão cabeçudo como eu. Tinha também a Giovana e o Fabiano, ela paulista de São Bernardo e ele candango de Brasília. Teve a Renata agrônoma de Botucatu. A Mariangela e o Alberto, o casal Sol e Lua e suas histórias de vida surreais e amigos do peito. Já teve a Claudinha e o Miguel amigos queridíssimos do meu coração, ela bióloga e ele filósofo baiano (isso mesmo, existe!). O Amaral, um colega de profissão com quem aprendi muito, seja em ética, em coração ou em técnica, que não deve ter idéia da admiração que tenho por ele e do amigo que o considero. Teve também a Priscila, um doce de pessoa com quem lamento não ter tido um contato maior. Contou com a Cris, o Ricardo e o Samuel, família do meu coração onde o astro é o Samuquinha, que foi dormir por esses dias e falou pra Cris "Mamãe, vou imitar o tio Felipe dormindo". E começou a ressonar (porque como todos sabem, eu não ronco!). Ainda contou com a Nayara, uma curitibana ponta firme e de risada gostosa. Hoje eles tocam suas vidas distantes do Acre, mas já experimentaram as delicias e agruras do aquiry.
Muito desse núcleo familiar foi formado em volta da Casa da Melancia, onde minha amiga Dri mora. Melancia é por causa das cores da casa onde, aliás, as festas eram famosas por Rio Branco. A Dri, é uma espécie de aglutinadora de toda a turma... ela faz meio que o papel da mãe. Teve uma época, que a impressão que dava, era que todas as pessoas que chegavam ao Acre, passavam pela casa Melancia para serem acolhidos por ela e por todos (na época eu chamava de pensão Melancia... ela não gostava!). Uns ficavam pra família, outros se dispersavam, mas todos chegavam atrás de referências, amizades e companhias na cidade nova. E isso tudo só aconteceu, muito por causa da generosidade e a capacidade de agregar as pessoas que a Dri tem. No entanto, hoje é a vez dela de ir embora. Ela conheceu um cara ai (esse Renato me paga!), se engraçou pelo sujeito, vai casar e se mudar pra Curitiba. Ou seja, vai abandonar a família acreana.
Colocando todo o meu ciúme de lado, o jeito é deixar ir né... fazer o que? Cheguei a pensar em correntes, ameaçar suicídio, trancar a porta e jogar a chave fora, mas acho que não daria certo. O jeito é engolir o orgulho, anotar o nome do Renato no meu caderninho negro e deixar a Dri ir.
Minha querida amiga, você vai e deixa um órfão no Acre (sua desalmada...hehehe). Obrigado pelas broncas, pelo carinho e pelo apoio no episódio mais difícil da minha vida. Obrigado sempre pela mão estendida... nos meus sonhos, os anjos são acolhedores e generosos como você. Te amo viu....
P.S. Mas que o Samuquinha sempre preferiu o tio Fe é evidente....
18 de março de 2008 Felipe Cruz Mendonça Servidor público, amigo da Dri e escrivinhador nas horas vagas e-mail: felcm40@hotmail.com
Escrito por Felipe às 15h46
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|