O Diário de um Acreano


O Estado sou eu... e tira a mão daí! (Diário de um Acreano 62)

 

ATENÇÃO! ATENÇÃO! Mais uma do Diário mensal mais trimestral do Acre. Direto da aba do chapéu. E a última nem tão última assim aqui no Acre foi que não conseguimos ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Vou te falar viu! Esse Brasil tá de sacanagem com a gente. Nossa proposta era boa, caramba! Só faltava estrutura e dinheiro... mas estávamos cheio de boa vontade! Ninguém conta isso não?

*

Meus amigos, ando em falta com o meu prazer de tentar escrever. Mas um assunto que por hora me mobiliza, na medida do possível, é tudo isso aí... sacou? E dentro disso aí tudo, nada me faz preocupar tanto do que esse tal estado de coisas (hoje eu to tão claro quanto uma mulher na TPM né não?). O fato é que ligo minha metralhadora giratória e acerto essa bobagem que ganhou ares de verdade absoluta e de imexível que é a tal da democracia. Isso mesmo! Minha Geni de hoje é a falência da tal democracia representativa. Você outorgar às pessoas o direito de lhe representar sobre qualquer coisa e qualquer assunto que o valha é muito sério. Ainda mais nesse ambiente do "vem cá minha nega que eu quero farrear também" (minhas comparações hoje estão ótimas!). É por isso que eu lembro sempre: enquanto o público for visto como privado pelos representantes públicos que são eleitos pelo público brasileiro, os interesses privados sempre sairão por cima do interesse público. Entendeu? Nem eu!

 

Por isso mesmo, enquanto ninguém encara o público como público eu exijo limites a essa bagunça democratica. De agora em diante eu só voto com restrição de atuação. Isso mesmo! Eu quero (ai como sou autoritário!) que a urna eletrônica me ofereça opções do que aquele legislador poderá me representar. Por exemplo: não outorgo a ninguém o direito de discutir o seu próprio salário. Não quero, não quero, não quero! Dou até piti! (ui!!!). Quer outro exemplo? Eu proíbo, terminantemente, que os deputados tenham o direito de darem terras para grileiros na Amazônia. Se for preciso ponho até tachinha no trono do Sarney! Outra coisa: eu não elejo Deus e sim um mero deputado, por isso mesmo, não deixo que ninguém mude o horário do por do Sol em meu nome. Faço até beicinho...quer ver?  

 

E sabe do que mais: às favas isso tudo aí! Me perdoem o destempero, mas escrevo sobre isso, principalmente, pelo absurdo que acaba de acontecer no Senado... aquele cabaré no formato de cuia que fica em Brasília. Hoje, dia 16, foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado o projeto de lei do senador tagarela da oposição, o senhor Arthur Virgilio (PSDB-AM), que acaba com os fusos horários no país. A matéria ainda será analisada em caráter terminativo pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Se aprovado, o projeto de lei segue para apreciação da Câmara... aquele bordel do lado do cabaré.

 

Vocês devem lembrar o quanto o pobre autor dessas tortas linhas se mostrou indignado a alguns diários atrás pela mudança do fuso horário do Acre de forma arbitrária e "televisiva", eu diria. Todos nós acreanos tivemos que adiantar o relógio em uma hora. Agora o nobre senador do Amazonas, que na verdade fica em Brasília e não acorda no Amazonas e por isso tá se lixando pra quem acorda e dorme no Amazonas, propõe que todos fiquemos com o fuso de Brasília. Ou seja, no Acre 8 da manhã estará de noite.     

 

Os argumentos do pobre senador, é que "o processo integraria diferentes mercados, além de facilitar transmissões de televisão, rádio e horários de viagens". Ou seja, o tal do mercado influindo mais uma vez no tal do humano e, mais uma vez, o lobby da Rede Globo, altera os rumos e os "durmos" do país. E ele complementa: "O interlocutor do governo na Casa, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o governo federal e os dos Estados são inteiramente favoráveis ao projeto."

 

Peraí? Quem é que tá a favor disso? Os Estados? Quem, ora bolas, são os Estados? São os mesmos eleitos que se outorgam o direito de serem mais reais que o rei e que têm a prepotência de acharem que são o Estado, num arroubo "generoso" aos moldes de Luis XIV, que num acesso de "humildade", disse há um tempo atrás que "O Estado sou eu"?

 

Perceberam? Tudo se passa em um nível em que não se pergunta a quem de direito e a quem irá ser afetado pela mudança de horário, pelo "justo" motivo desses senhores serem os representante democrático escolhidos ou comprados pelos seus currais eleitorais. Não sei quanto a vocês, mas não elegi ninguém pra mudar a hora do nascer do sol.

 

Por isso, que a saída pro Acre é pedir a independência do Brasil... como eu sempre digo. O Brasil atrasa o Acre adiantando sua hora. Com a nossa independência, teremos nossa hora de volta, o nosso Sol as 5 e meia da manhã e a Copa do Mundo vai ser nossa e a final em Santa Rosa.
Sou acreano, não há quem possa! 

 

16 de junho de 2009
Felipe Cruz Mendonça
Servidor Público, escaldado e escrivinhador nas horas vagas



Escrito por Felipe às 22h47
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